Direito Empresarial

Empresa com dívidas: recuperação judicial, extrajudicial e negociação da dívida ativa

Entenda as alternativas jurídicas para a empresa endividada: recuperação judicial e extrajudicial, parcelamento e transação de dívida ativa.

Dívidas com fornecedores, bancos e o Fisco podem comprometer a continuidade de uma empresa viável. A lei oferece caminhos para reorganizar essas obrigações, e a escolha certa depende do tipo de dívida, do porte do negócio e do momento em que a empresa busca ajuda.

Recuperação judicial

Prevista na Lei 11.101/2005, permite que a empresa apresente aos credores um plano para reestruturar as dívidas, sob supervisão do Judiciário. Pontos principais:

  • a empresa deve exercer atividade regular há mais de dois anos, entre outros requisitos legais;
  • após o deferimento do processamento, as execuções contra a empresa ficam, em regra, suspensas por um período (o chamado stay period);
  • o plano de recuperação é apresentado em prazo legal e votado pelos credores;
  • há um procedimento simplificado para microempresas e empresas de pequeno porte.

É um processo complexo, com custos e exigências de transparência, mais indicado quando há várias dívidas e credores.

Recuperação extrajudicial

A empresa negocia diretamente com parte dos credores e leva o acordo para homologação judicial. Costuma ser mais rápida e menos onerosa, mas depende de adesão dos credores envolvidos.

Dívida ativa: parcelamento e transação

Dívidas tributárias não pagas são inscritas em dívida ativa (da União, do Estado ou do Município) e podem gerar protesto, bloqueio de contas e impedimento para obter certidões. Alternativas comuns:

  • parcelamentos ordinários ou especiais oferecidos por cada ente;
  • transação tributária (Lei 13.988/2020, no âmbito federal), que pode envolver prazos maiores e redução de juros e multas, conforme a capacidade de pagamento e os editais vigentes;
  • revisão da própria dívida, quando há cobranças indevidas, prescrição ou erros no lançamento.

As condições mudam conforme os programas abertos em cada período, por isso convém avaliar antes de aderir: alguns parcelamentos exigem confissão da dívida e desistência de discussões judiciais.

Sinais de que é hora de buscar orientação

  • uso frequente de crédito caro para pagar despesas correntes;
  • atrasos em tributos para manter a folha de pagamento;
  • protestos, execuções ou bloqueios de conta;
  • dificuldade em obter certidões negativas para participar de licitações ou obter crédito.

Quanto antes a situação é analisada, mais alternativas costumam estar disponíveis.

Fale com um especialista

Cada empresa tem um conjunto diferente de dívidas e credores. Solicite uma análise para entender quais caminhos se aplicam ao seu caso. Veja também problemas jurídicos entre sócios.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um advogado sobre o caso concreto.